terça-feira, 11 de setembro de 2007

Monet - La Pont Neuf


Oscar-Claude Monet (Paris, França, 14 de novembro de 1840Giverny, 5 de dezembro de 1926) foi um pintor francês, o mais célebre entre os pintores impressionistas.
O termo
impressionismo surgiu devido a um dos primeiros quadros de Monet, "Impressão do pôr-do-sol", quando de uma crítica feita ao quadro pelo pintor e escritor Louis Leroy: "Impressão, Nascer do Sol” – eu bem o sabia! Pensava eu, justamente, se estou impressionado é porque há lá uma impressão. E que liberdade, que suavidade de pincel! Um papel de parede é mais elaborado que esta cena marinha." . A expressão foi usada originalmente de forma pejorativa, mas Monet e seus colegas adotaram o título, sabendo da revolução que estavam iniciando na pintura.


La Pont Neuf é uma pintura do francês Claude Monet. Realizada a óleo sobre tela em 1871, a obra retrata uma cena do quotidiano parisiense. Actualmente integra o espólio do Museu de Arte de Dallas.
Monet retornou a
Paris no Inverno de 1871, depois de mais de um ano exilado no Reino Unido e nos Países Baixos, durante a decorrência da Guerra Franco-Prussiana. A capital francesa, após o seu regresso, continuava estática e explodiram algumas revoltas e empreenderam-se greves várias. Monet somente concebeu um trabalho durante este conturbado período de pós-guerra. La Pont Neuf foi é esse trabalho.
A estrutura temática leva-nos a colocar os olhos sobre uma cena quotidiana parisiense de
1971, dois anos antes da revolução impressionista, de um Inverno chuvoso, tal como o período histórico em que se vivia. A cena desenrola-se sobre a Pont Neuf (Ponte Nova), uma das mais célebre e reproduzidas pontes parisienses, num primeiro plano. E no segundo plano desenrola-se sobre as águas do Sena, dado pelos barcos atracados os pelos que se empreendem na travessia. A composição da obra, cuja base parece sobrepor três pentágonos da margem direita para a esquerda do quadro, jogam com os três rectângulos no fundo da cena, formados por três conjuntos de prédios diferentes.
No exercício cromático, a
paleta varia entre resquícios de verde oliva e azul, juntamente com púrpura e amarelo torrado, com o branco - que se dá pelo fumo expelido das chaminés do barcos no Sena - e com uma subtil invasão do cinzento. O local - na tela - para cada tonalidade é quase escolhido geometricamente. O semi-pentágono que retrata o Sena, a verde. Sobre a ponte e nos rectângulos que compreendem os edifícios da direita e da esquerda, o amarelo e umas introduções de branco. No céu e no rectângulo do fundo, o cinzento, com a ligeira diferença de que este último conserva tonalidades azuladas. Os transeuntes e os veículos são retratados em púrpura.
É uma obra profunda e triste, cujas cores tornam a percepção e a localização histórica do período mais fácil de visualizar e compreender.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Positivismo


O Positivismo é uma doutrina altruísta, científica e industrial, que tem por objetivo incrementar o progresso do bem-estar moral, intelectual e material de todas as sociedades humanas, que habitam este planeta Terra, e em todas as incursões interplanetárias, (desde que não se destrua esta atual morada), a serem executadas pelo homem, sempre mantendo o equilíbrio ecológico, fruto direto do amor ao espaço, à Terra e à humanidade; do contrário, provavelmente, não haverá sobreviventes. O Positivismo tem por finalidade colaborar para estabelecer uma educação e uma instrução, de cunho altruístico, científico e industrial, a fim de criar uma Única Civilização Positiva. O nosso ideal é unir todas as culturas até agora separadas do Ocidente e do Oriente, e quiçá Interplanetárias, sem que nada se perca e tudo se some. Os pontos conflitantes se moldarão e se entrosarão no Conjunto Positivo. O Positivismo compreende três partes que se complementam e se entrelaçam:
1) Um culto - Na Doutrina da Humanidade, é substituída a crença na existência objetiva de todos os seres e fenômenos sobrenaturais, pela adoração e o entendimento da Trindade: Humanidade, Terra e Espaço, nossos três Seres Supremos. - A Moral Positiva pode ser resumida como sendo o conjunto das melhoras psíquicas, ou seja, dos aperfeiçoamentos afetivos, intelectuais e das ações práticas, com sua respectiva influência sobre as outras partes e funções do Organismo Individual Humano, de maneira a se por cada vez melhor no estado de ser útil a um outro Ser - Organismo Social .
Aqui subentende-se por outro, os laços de entendimentos morais, intelectuais e práticos de três Seres Coletivos, dos mais e cada vez mais Grandiosos, que são:
a Família, a Pátria, a Humanidade
Esta MORAL POSITIVA regula também as relações dos povos entre si, donde:
2) Um Dogma Científico - na qual concluímos que o homem deve contar não só com ele próprio, para melhorar a sua sorte; não ser individualista e levar em conta a totalidade dos ensinamentos e exemplos do passado, do futuro e do presente, dos Seres Convergentes, ou seja, com a Humanidade, donde, por sua vez:
3)Um Régimen, que é afetado pela Sã Política - Esta política, neste momento, já orienta espontaneamente a eliminação da guerra e a formação de uma República de Estados Unidos da Europa - apenas esboçado como Comunidade Européia, União Européia, ou como Auguste Comte preconizou, de República Ocidental. Esta política convida as nações a uma ação fraternal, em vista da utilização em comum dos recursos de todas as naturezas, que representam o Globo Terrestre e os seus Habitantes. Pretende-se hoje realizar a globalização por vias da economia, mas ela só existirá de fato quando a nossa espécie iniciá-la pela via fraternal.
O Positivismo repudia toda via de ação violenta para a transformação da sociedade; ele entende que devemos agir pelos meios de demonstração, persuasão e calcado na Moral Positiva, sobretudo.
O Positivismo tem por Máxima ou por Fórmula Sagrada:
O amor por princípio e a ordem por base; o progresso por fim.
Sua fórmula Moral é: Viver para outrém.
Sem privilégios, sem preconceitos ou vantagens; sem rei e sem sobrenatural; pelo engrandecimento do amor universal e tendo somente o mérito como fator de promoção, não deixando nunca o excesso de ambição sobrepujar o fator mérito, para não se envergonhar; todos tem que possuir uma autocrítica, auxiliados pelo Sacerdote da Humanidade, para conhecer o seu nível de competência, a fim de não almejar algo, além de suas reais possibilidades, eliminando desta forma a petulância, a pretenciosidade e a inveja.
Nenhuma profissão tem demérito, pois a igualdade de oportunidades deverá ser dada a todos, sem exceção e a competência será a escala da temperatura do mérito.
A vergonha de ocupar uma posição por demérito ou incompetência será o fator de freio sobre as pretensões e, por conseguinte, ocorrerá mudança do rumo da conduta; jamais deixando que não haja entusiasmo, seja lá por qualquer razão, principalmente com vista ao bem estar social de todos.
Respeitamos muito mais os cultos inteligentes, com Moral Positiva, que os meramente ricos. A competência de saber gerar lucro é necessária, no entanto, não é tudo: o lucro terá destino social.
Nem tudo que aqui for dito pode ser plenamente aplicado hoje em dia, mas já serve como rumo e diretriz para o futuro. Provavelmente será possível no século 30-50 d.C..
No Positivismo o regime temporal é totalmente separado do regime espiritual, isto é, nenhum invade o outro, mas são harmônicos. A doutrina positivista regulamenta e coordena os sentimentos e as ações humanas em torno do Gran Ser: Família, Pátria e Humanidade. Humanidade: é o conjunto dos Seres Convergentes, do passado, do futuro e do presente que concorreram, que concorrerão e que concorrem para o bem estar do homem na Terra.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Traduzir-se


Uma parte de mim é todo mundo,
outra parte é ninguém,
fundo sem fundo.
Uma parte de mim é multidão,
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera,
outra parte delira.
Uma parte de mim almoça e janta,
outra partese espanta.
Uma parte de mim é permanente,
outra partese sabe de repente.
Uma parte de mim é só vertigem,
outra parte, linguagem.
Traduzir uma parte na outra parte
- que é uma questão de vida ou morte -
será arte?
Ferreira Gullar

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

O Primo Basílio


José Maria Eça de Queiroz (Póvoa de Varzim, 25 de Novembro de 1845Paris, 16 de Agosto de 1900) é por muitos considerado o maior escritor realista português do século XIX. Foi autor, entre outros romances de importância reconhecida, de Os Maias e O crime do Padre Amaro. Por hora, a obra citada é O Primo Basílio. O filme está em cartaz em todo o Brasil. Segue breve nota sobre este lindo romance.
O Primo Basílio (1878) é um romance de Eça de Queirós. Publicado em 1878, constitui uma análise da família burguesa urbana no século XIX.O autor, que já criticara a província em O Crime do Padre Amaro, volta-se agora para a cidade, a fim de sondar e analisar as mesmas mazelas, desta vez na capital: para tanto, enfoca um lar burguês aparentemente feliz e perfeito, mas com bases falsas e igualmente podres. A criação dessas personagens denuncia e acentua o compromisso de O primo Basílio com o seu tempo: a obra deve funcionar como arma de combate social. A burguesia - principal consumidora dos romances nessa época - deveria ver-se no romance e nele encontrar seus defeitos analisados objetivamente, para, assim, poder alterar seu comportamento.O espaço é Lisboa, a casa de Luísa e de Jorge, o Paraíso, o Alentejo, embora esses dois últimos lugares não sejam mostrados pelo narrador, apenas referidos. Lisboa é o cenário da crítica de Eça de Queiroz; é o espaço da sociedade lisboeta por onde transitam as personagens e onde elas expõem suas condições sócio-econômicas e históricas. Alentejo é o espaço que rouba Jorge de Luísa, deixando-a num marasmo sem fim. Paris é o cenário que devolve Basílio à Luísa, trazendo alegria e a novidade de uma vida de prazeres e aventuras.A casa é o espaço privilegiado do romance, onde se passam as cenas entre Luísa e Juliana - o Paraíso serve de contraponto da vida doméstica e do mundo das alcovas. Esta obra, classificada como um romance, é narrada em 3ª pessoa. Apresenta um narrador omnisciente que não consegue distanciar-se por completo de suas personagens, o que se caracteriza pela sua onisciência pelo emprego do enredo da obra. As personagens de O Primo Basílio podem ser consideradas o protótipo da futilidade, da ociosidade daquela sociedade.
" - Tinha suspirado, tinha beijado o papel devotadamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; Sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo conduzia a um êxtase e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações."

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Good is good


Good is good and bad is bad
You don't know which one you had
She put your books out on the sidewalk
Now they're blowing 'round
They won't help you when you're down
Love's on your list of things to do
To bring your good luck back to you
And if you think that everything's unfair
Would you care if you're the last one standing there
And everytime you hear the rolling thunder
You turn around before the lightening strikes
And does it ever make you stop and wonder
If all your good times pass you by
I don't hold no mystery
But I can show you how to turn the key
Cause all I know is where I started
So downhearted
And that's not where you want to be
And everytime you hear the rolling thunder
You turn around before the lightening strikes
And you could find a rock to crawl right under
If all your good times pass you by
When the day is done
And the world is sleeping
And the moon is on its way to shine
When your friends are gone
You thought were so worth keeping
You feel you don't belong
And you don't know why
And everytime you hear the rolling thunder
You turn around before the lightening strikes
And does it ever make you stop and wonder
If all your good times pass you by
When the day is done
And the world is sleeping
And the moon is on its way to shine
When your friends are gone
You thought were so worth keeping
You feel you don't belong
Neither do I
(Sheryl Crow/Jeff Trott)

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Felicidade Realista


A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema. Queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo.
Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante, pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum.
Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio. Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.
Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza,instiga e conduz mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.
Mário Quintana.
"Pudera para um pouco e sermos menos egoístas com nós mesmos. Darmos um pouco de paz à nossa alma. É assim que me sinto, sedenta por um pouco mais de liberdade e um pouco menos de cobrança própria. Tranquilidade de espírito para iniciar um novo ano de vida e realmente comemorar... Comemorar? Sim, comemorar. Comemorar um pouco mais de alegria, carinho e amizade nestes dias de frio, por vezes tão tristes. Que agora, mesmo sob nuvens há o brilho. O brilho que encontramos ao fitar aqueles que estão na mesma sintonia. Este brilho que se torna abundante e aquece o peito. Um pouco de poesia sempre nos deixa assim... anestesiados. Escritores como Mário transbordam estes sentimentos."

terça-feira, 31 de julho de 2007

Carnavália

Carnavália
Tribalistas
Composição: Carlinhos Brown, Marisa Monte E Arnaldo Antunes

Vem pra minha ala que hoje a nossa escola
Vai desfilar
Vem fazer história que hoje é dia de glória
Neste lugar
Vem comemorar, escandalizar ninguém
Vem me namorar vou te namorar também
Vamos pra avenida, desfilar a vida, carnavalizar
Na Portela tem, Mocidade, Imperatriz
No Império tem, uma
Vila tão feliz
Beija Flor, vem ver, a porta-bandeira
Na Mangueira tem morena da Tradição
Sinto a batucada se aproximar
Estou ensaiado para te tocar
Repique tocou, o surdo escutou
E o meu corasamborim
Cuíca gemeu
Será que era eu
Quando ela passou por mim
Lá lá lá...

Tribalistas é um trio musical brasileiro que é composto por Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown. Tal reunião resultou em um álbum lançado no Brasil em 2002 e no exterior em 2003. O álbum vendeu mais de um milhão cópias somente no Brasil. O álbum conseguiu também um sucesso considerável na Europa, particularmente na Itália, Portugal e França. Recebeu cinco Grammy's de música latino-americana em 2003 e um prêmio de música mundial da BBC em 2004. Algumas faixas do CD/DVD foram resmaterizadas em inglês e fizeram muito sucesso na Europa.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Machadiando.....


"As melhores mulheres pertecem aos homens mais atrevidos ... Mulheres são como maçãs em árvore. As melhores estão no topo. Os homens não querem alcançar essas boas, porque eles tem medo de cair e se machucar. Preferem pegar as maças podres que ficam no chão, que não são boas como as do topo, mas são fáceis de se conseguir. Assim as maçãs no topo pensam que algo está errado com elas, quando na verdade, eles estão errados ... Elas tem que esperar um pouco para o homem certo chegar ... aquele que é valente o bastante pra escalar até o topo da árvore." (Machado de Assis)
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Joaquim Maria Machado de Assis (Rio de Janeiro, 21 de junho de 1839 — Rio de Janeiro, 29 de setembro de 1908) foi um escritor brasileiro, autor de romances, poesias e peças de teatro, além de crítico literário. É considerado um dos mais importantes nomes da literatura brasileira.
É comum dividir a sua obra em duas fases: a primeira, marcada pela influência do Romantismo; e a segunda, definida por sua virada para o Realismo. Machado de Assis é considerado um dos melhores escritores realistas em todo o mundo. Escreveu obras memoráveis, como
Memórias póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro, Quincas Borba e vários livros de contos, entre eles, Papéis avulsos, no qual se encontra uma de suas obras-primas, o conto (ou novela) O alienista, cujo tema principal é o cientificismo e a loucura. Também escreveu poesia e foi um ativo crítico literário, além de ser um dos criadores da crônica no país. Foi também um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, que se chama Casa de Machado de Assis.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

"Mais quero asno que me carregue que cavalo que me derrube"


A Farsa de Inês Pereira é considerada a obra-prima dentre as demais farsas de Gil Vicente. As farsas sempre caíram mais no gosto do público pela maneira de tratar os temas sexuais, no caso, por exemplo, a falta de compaixão para com o marido corno e parvo, provocando não só o riso mas também a cumplicidade com as mulheres espertas e adúlteras, capazes de driblar hipocritamente as convenções sociais para satisfazer seus desejos carnais. Sem dúvida, essa é a crítica central da peça, mas não é a única. Em segundo plano, mas não de menor importância dentro da totalidade da obra de Gil Vicente, encontramos a ironia e o desmascaramento do comportamento do clero por meio do padre que tenta agarrar Lianor Vaz, do que já o tentou fazer com a mãe de Inês e do que se tomará amante da jovem. Temos também a visão satírica do comportamento de nobres que não o são, mas fingem, dissimulam, como é o caso do Escudeiro. Temos a intromissão na base da família de alcoviteiras e alcoviteiros como Lianor e os Judeus. Enfim, retratando todo o trabalho de Gil Vicente, Farsa de Inês Pereira não dispensa críticas a nenhum setor da sociedade. É o instrumento usado por um homem medieval, com valores medievais, por meio de formas medievais, para mostrar a sua preocupação com o homem de seu tempo. É a arte baseada no teocentrismo mas já preocupada com o homem que vive na terra. É a literatura humanista.
Cabe ainda ressaltar que a grandeza da obra de Gil Vicente extrapola sua preocupação em caracterizar uma determinada sociedade dentro de uma época específica. O domínio poético que exibe por meio dos versos redondilhos usados revelam sua consciência artística, assim como o gosto na escolha de metáforas, trocadilhos, sonoridade, garantindo a grandeza poética das peças. E por essa qualidade que o teatro vicentino é considerado rico enquanto texto e simples enquanto cenografia. Sem dúvida, os recursos poéticos foram muito mais valorizados que os cênicos. Tudo isso para retratar na sociedade portuguesa traços das sociedades de todos os tempos: o lado humano.


Antologia
Inês
Renego deste lavrar
e do primeiro que o usou!
Ao diabo que eu o dou,
que tão mal é de aturar!
Oh Jesus! Que enfadamento
e que raiva e que tormento,
que cegueira e que canseira!
Eu hei-de buscar maneira
Dalgum outro aviamento.
Lavrar = trabalhar, bordar


A fala inicial de Inês já revela logo a falta de gosto pelo trabalho, o que é mal visto aos olhos medievais, e a vontade de fazer qualquer coisa para sair dessa rotina sem emoções e romantismo. A personagem central, portanto, é construída como alguém voltada para os prazeres carnais e ansiosa por realizá-los.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Antologia Poética por Vinicius de Moraes


Este livro reúne a maior e a melhor parte da obra de um dos grandes poetas do Brasil.Vinicius de Moraes nasceu no Rio, em 1913, aqui se formou em Direito e entrou, por concurso, para a carreira diplomática. Serviu durante quatro anos no consulado brasileiro em Los Angeles e está no momento como secretário de nossa embaixada em Paris. Seu primeiro livro foi O caminho para a distância, do qual pouco aproveitou nesta seleção, seguindo-se Ariana, a mulher e Forma e exegese, com o qual conquistou o Prêmio Felipe de Oliveira. Publicou a seguir Novos poemas, Cinco elegias, Poemas, sonetos e baladas e Pátria minha que firmaram seu nome, no consenso da crítica, como o melhor poeta da turma que hoje entra pela casa dos quarenta. Alguns desses livros foram feitos em edições limitadas; todos estão há longo tempo esgotados, o que faz com que grandes admiradores de Vinicius de Moraes conheçam apenas uma pequena parte de sua obra. Esta seleção, feita pelo próprio poeta com a ajuda de amigos – principalmente Manuel Bandeira – adquire, assim, uma grande importância, pois possibilita um estudo da evolução do poeta e a admiração do que ele tem feito de mais alto e melhor.Vindo de um misticismo de fundo religioso para uma poesia nitidamente sensual que depois se muda em versos marcados por um fundo sentimento social, a obra de Vinicius tem como constante um lirismo de grande força e pureza. Ainda com o risco de incorrer na censura dos que levam suas preocupações puritanas ao domínio das artes, não quiseram os amigos do poeta, principalmente o que assina esta nota, e assim se faz responsável por esta resolução, suprimir algumas palavras ou expressões mais fortes que de raro em raro aparecem em seus versos. Isso fará com que não seja recomendável a presença deste livro em mãos juvenis – mas resguarda a pureza de sua poesia, que tudo, em poesia, transfigura. Estamos certos de que, com a edição deste livro, a obra de Vinicius de Moraes ganhará uma popularidade maior, e passará a ter, entre o público, o lugar de honra que há muito ocupa no espírito e no sentimento dos poetas e dos críticos.

Ternura

Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.

Rio de Janeiro, 1938

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Almas Perfumadas

Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta,de sol quando acorda,de flor quando ri. Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande,sem relógio e sem agenda.Ao lado delas,a gente se sente comendo pipoca na praça,lambuzando o queixo de sorvete,melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher.O tempo é outro e a vida fica com a cara que ela tem de verdade,mas que a gente desaprende de ver. Tem gente que tem cheiro de colo de Deus,de banho de mar quando a água é quente e o céu é azul.Ao lado delas,a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis.Ao lado delas,a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo,sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga pra isso.Ao lado delas,pode ser abril, mas parece manhã de Natal do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel. Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na Terra.Ao lado delas,a gente não acha que o amor é possível,a gente tem certeza.Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria,recebendo um buquê de carinhos,abraçando um filhote de urso panda, tocando com os olhos os olhos da paz. Ao lado delas,saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra no nosso coração. Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa,do brinquedo que a gente não largava,do acalanto que o silêncio canta,de passeio no jardim.Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentroe que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo,corre em outras veia pulsa em outro lugar.Ao lado delas,a gente lembra que no instante em que rimos Deus está conosco, juntinho ao nosso lado e a gente ri grande que nem menino arteiro. E que esse perfume é dom de Deus.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

"Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo"

Sendo este o meu primeiro post no blog que acabei de criar, gostaria de falar um pouco do grande poeta Carlos Drummond de Andrade o qual presto uma singela homenagem, batizando meu blog com esta frase escrita por ele. Na minha concepção, as duas mãos representam a humildade e o respeito às pessoas inseridas no grande sentimento do mundo, o amor. Sinto grande afeição por esta frase, por isso a escolhi.

Drummond nasceu em 31 de outubro de 1902, em Itabira do Mato Dentro, no estado de Minas Gerais. Alguma Poesia, seu primeiro livro, foi editado em 1930. Foram apenas 500 exemplares. Em 1931, morre seu pai, aos 70 anos. Três anos depois transferiu-se para o Rio de Janeiro e não mais voltou a sua cidade natal:
Itabira é apenas uma fotografia na parede. / Mas como
dói!

Drummond conseguia, a um só tempo, ser Chefe de Gabinete do ministro Gustavo Capanema, do Estado Novo, e usar suas palavras para destruir o capitalismo. Do gabinete ministerial, saiu direto para a condição de simpatizante do Partido Comunista Brasileiro. Agnóstico, conseguia clamar aos céus uma ajuda aos irmãos necessitados numa prece bem brasileira:
Meu Deus,/ só me lembro de vós para pedir,/ mas de qualquer modo
sempre é uma lembrança./ Desculpai vosso filho, que se veste/ de humildade e
esperança/ e vos suplica: Olhai para o Nordeste/ onde há fome, Senhor, e
desespero/ rodando nas estradas/ entre esqueletos de animais
.
O modernismo no estilo de Drummond levou-o, com sua linguagem em diferentes ritmos, à popularização em um país onde se lê pouco.
No meio do caminho tinha uma pedra/ tinha uma pedra no meio do
caminho
São versos que entraram para a História como ditos populares.
Em 1982 completa 80 anos. São realizadas exposições comemorativas na Biblioteca Nacional e na Casa de Rui Barbosa. Recebe o título de doutor honoris causa pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. No ano seguinte declinaria do troféu Juca Pato. Em 1984 assina contrato com a Editora Record, após 41 anos na José Olympio.
A escola de samba Estação Primeira de Mangueira o homenageia em 1987 com o samba-enredo O reino das palavras e é campeã do carnaval carioca naquele ano. No dia 5 de agosto morre a mulher que mais amou, sua amiga, confidente e filha Maria Julieta. Desolado, Drummond pede a sua cardiologista que lhe receite um “infarto fulminante”. Apenas doze dias depois, em 17 de agosto de 1987, Drummond morre numa clínica em Botafogo, no Rio de Janeiro.



Memória
Amar o perdido deixa confundido este coração.
Nada pode o olvido contra o sem sentido apelo do Não.
As coisas tangíveis tornam-se
insensíveis à palma da mão
Mas as coisas findas muito mais que lindas, essas
ficarão.