terça-feira, 31 de julho de 2007

Carnavália

Carnavália
Tribalistas
Composição: Carlinhos Brown, Marisa Monte E Arnaldo Antunes

Vem pra minha ala que hoje a nossa escola
Vai desfilar
Vem fazer história que hoje é dia de glória
Neste lugar
Vem comemorar, escandalizar ninguém
Vem me namorar vou te namorar também
Vamos pra avenida, desfilar a vida, carnavalizar
Na Portela tem, Mocidade, Imperatriz
No Império tem, uma
Vila tão feliz
Beija Flor, vem ver, a porta-bandeira
Na Mangueira tem morena da Tradição
Sinto a batucada se aproximar
Estou ensaiado para te tocar
Repique tocou, o surdo escutou
E o meu corasamborim
Cuíca gemeu
Será que era eu
Quando ela passou por mim
Lá lá lá...

Tribalistas é um trio musical brasileiro que é composto por Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown. Tal reunião resultou em um álbum lançado no Brasil em 2002 e no exterior em 2003. O álbum vendeu mais de um milhão cópias somente no Brasil. O álbum conseguiu também um sucesso considerável na Europa, particularmente na Itália, Portugal e França. Recebeu cinco Grammy's de música latino-americana em 2003 e um prêmio de música mundial da BBC em 2004. Algumas faixas do CD/DVD foram resmaterizadas em inglês e fizeram muito sucesso na Europa.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Machadiando.....


"As melhores mulheres pertecem aos homens mais atrevidos ... Mulheres são como maçãs em árvore. As melhores estão no topo. Os homens não querem alcançar essas boas, porque eles tem medo de cair e se machucar. Preferem pegar as maças podres que ficam no chão, que não são boas como as do topo, mas são fáceis de se conseguir. Assim as maçãs no topo pensam que algo está errado com elas, quando na verdade, eles estão errados ... Elas tem que esperar um pouco para o homem certo chegar ... aquele que é valente o bastante pra escalar até o topo da árvore." (Machado de Assis)
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Joaquim Maria Machado de Assis (Rio de Janeiro, 21 de junho de 1839 — Rio de Janeiro, 29 de setembro de 1908) foi um escritor brasileiro, autor de romances, poesias e peças de teatro, além de crítico literário. É considerado um dos mais importantes nomes da literatura brasileira.
É comum dividir a sua obra em duas fases: a primeira, marcada pela influência do Romantismo; e a segunda, definida por sua virada para o Realismo. Machado de Assis é considerado um dos melhores escritores realistas em todo o mundo. Escreveu obras memoráveis, como
Memórias póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro, Quincas Borba e vários livros de contos, entre eles, Papéis avulsos, no qual se encontra uma de suas obras-primas, o conto (ou novela) O alienista, cujo tema principal é o cientificismo e a loucura. Também escreveu poesia e foi um ativo crítico literário, além de ser um dos criadores da crônica no país. Foi também um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, que se chama Casa de Machado de Assis.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

"Mais quero asno que me carregue que cavalo que me derrube"


A Farsa de Inês Pereira é considerada a obra-prima dentre as demais farsas de Gil Vicente. As farsas sempre caíram mais no gosto do público pela maneira de tratar os temas sexuais, no caso, por exemplo, a falta de compaixão para com o marido corno e parvo, provocando não só o riso mas também a cumplicidade com as mulheres espertas e adúlteras, capazes de driblar hipocritamente as convenções sociais para satisfazer seus desejos carnais. Sem dúvida, essa é a crítica central da peça, mas não é a única. Em segundo plano, mas não de menor importância dentro da totalidade da obra de Gil Vicente, encontramos a ironia e o desmascaramento do comportamento do clero por meio do padre que tenta agarrar Lianor Vaz, do que já o tentou fazer com a mãe de Inês e do que se tomará amante da jovem. Temos também a visão satírica do comportamento de nobres que não o são, mas fingem, dissimulam, como é o caso do Escudeiro. Temos a intromissão na base da família de alcoviteiras e alcoviteiros como Lianor e os Judeus. Enfim, retratando todo o trabalho de Gil Vicente, Farsa de Inês Pereira não dispensa críticas a nenhum setor da sociedade. É o instrumento usado por um homem medieval, com valores medievais, por meio de formas medievais, para mostrar a sua preocupação com o homem de seu tempo. É a arte baseada no teocentrismo mas já preocupada com o homem que vive na terra. É a literatura humanista.
Cabe ainda ressaltar que a grandeza da obra de Gil Vicente extrapola sua preocupação em caracterizar uma determinada sociedade dentro de uma época específica. O domínio poético que exibe por meio dos versos redondilhos usados revelam sua consciência artística, assim como o gosto na escolha de metáforas, trocadilhos, sonoridade, garantindo a grandeza poética das peças. E por essa qualidade que o teatro vicentino é considerado rico enquanto texto e simples enquanto cenografia. Sem dúvida, os recursos poéticos foram muito mais valorizados que os cênicos. Tudo isso para retratar na sociedade portuguesa traços das sociedades de todos os tempos: o lado humano.


Antologia
Inês
Renego deste lavrar
e do primeiro que o usou!
Ao diabo que eu o dou,
que tão mal é de aturar!
Oh Jesus! Que enfadamento
e que raiva e que tormento,
que cegueira e que canseira!
Eu hei-de buscar maneira
Dalgum outro aviamento.
Lavrar = trabalhar, bordar


A fala inicial de Inês já revela logo a falta de gosto pelo trabalho, o que é mal visto aos olhos medievais, e a vontade de fazer qualquer coisa para sair dessa rotina sem emoções e romantismo. A personagem central, portanto, é construída como alguém voltada para os prazeres carnais e ansiosa por realizá-los.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Antologia Poética por Vinicius de Moraes


Este livro reúne a maior e a melhor parte da obra de um dos grandes poetas do Brasil.Vinicius de Moraes nasceu no Rio, em 1913, aqui se formou em Direito e entrou, por concurso, para a carreira diplomática. Serviu durante quatro anos no consulado brasileiro em Los Angeles e está no momento como secretário de nossa embaixada em Paris. Seu primeiro livro foi O caminho para a distância, do qual pouco aproveitou nesta seleção, seguindo-se Ariana, a mulher e Forma e exegese, com o qual conquistou o Prêmio Felipe de Oliveira. Publicou a seguir Novos poemas, Cinco elegias, Poemas, sonetos e baladas e Pátria minha que firmaram seu nome, no consenso da crítica, como o melhor poeta da turma que hoje entra pela casa dos quarenta. Alguns desses livros foram feitos em edições limitadas; todos estão há longo tempo esgotados, o que faz com que grandes admiradores de Vinicius de Moraes conheçam apenas uma pequena parte de sua obra. Esta seleção, feita pelo próprio poeta com a ajuda de amigos – principalmente Manuel Bandeira – adquire, assim, uma grande importância, pois possibilita um estudo da evolução do poeta e a admiração do que ele tem feito de mais alto e melhor.Vindo de um misticismo de fundo religioso para uma poesia nitidamente sensual que depois se muda em versos marcados por um fundo sentimento social, a obra de Vinicius tem como constante um lirismo de grande força e pureza. Ainda com o risco de incorrer na censura dos que levam suas preocupações puritanas ao domínio das artes, não quiseram os amigos do poeta, principalmente o que assina esta nota, e assim se faz responsável por esta resolução, suprimir algumas palavras ou expressões mais fortes que de raro em raro aparecem em seus versos. Isso fará com que não seja recomendável a presença deste livro em mãos juvenis – mas resguarda a pureza de sua poesia, que tudo, em poesia, transfigura. Estamos certos de que, com a edição deste livro, a obra de Vinicius de Moraes ganhará uma popularidade maior, e passará a ter, entre o público, o lugar de honra que há muito ocupa no espírito e no sentimento dos poetas e dos críticos.

Ternura

Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.

Rio de Janeiro, 1938

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Almas Perfumadas

Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta,de sol quando acorda,de flor quando ri. Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande,sem relógio e sem agenda.Ao lado delas,a gente se sente comendo pipoca na praça,lambuzando o queixo de sorvete,melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher.O tempo é outro e a vida fica com a cara que ela tem de verdade,mas que a gente desaprende de ver. Tem gente que tem cheiro de colo de Deus,de banho de mar quando a água é quente e o céu é azul.Ao lado delas,a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis.Ao lado delas,a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo,sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga pra isso.Ao lado delas,pode ser abril, mas parece manhã de Natal do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel. Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na Terra.Ao lado delas,a gente não acha que o amor é possível,a gente tem certeza.Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria,recebendo um buquê de carinhos,abraçando um filhote de urso panda, tocando com os olhos os olhos da paz. Ao lado delas,saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra no nosso coração. Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa,do brinquedo que a gente não largava,do acalanto que o silêncio canta,de passeio no jardim.Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentroe que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo,corre em outras veia pulsa em outro lugar.Ao lado delas,a gente lembra que no instante em que rimos Deus está conosco, juntinho ao nosso lado e a gente ri grande que nem menino arteiro. E que esse perfume é dom de Deus.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

"Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo"

Sendo este o meu primeiro post no blog que acabei de criar, gostaria de falar um pouco do grande poeta Carlos Drummond de Andrade o qual presto uma singela homenagem, batizando meu blog com esta frase escrita por ele. Na minha concepção, as duas mãos representam a humildade e o respeito às pessoas inseridas no grande sentimento do mundo, o amor. Sinto grande afeição por esta frase, por isso a escolhi.

Drummond nasceu em 31 de outubro de 1902, em Itabira do Mato Dentro, no estado de Minas Gerais. Alguma Poesia, seu primeiro livro, foi editado em 1930. Foram apenas 500 exemplares. Em 1931, morre seu pai, aos 70 anos. Três anos depois transferiu-se para o Rio de Janeiro e não mais voltou a sua cidade natal:
Itabira é apenas uma fotografia na parede. / Mas como
dói!

Drummond conseguia, a um só tempo, ser Chefe de Gabinete do ministro Gustavo Capanema, do Estado Novo, e usar suas palavras para destruir o capitalismo. Do gabinete ministerial, saiu direto para a condição de simpatizante do Partido Comunista Brasileiro. Agnóstico, conseguia clamar aos céus uma ajuda aos irmãos necessitados numa prece bem brasileira:
Meu Deus,/ só me lembro de vós para pedir,/ mas de qualquer modo
sempre é uma lembrança./ Desculpai vosso filho, que se veste/ de humildade e
esperança/ e vos suplica: Olhai para o Nordeste/ onde há fome, Senhor, e
desespero/ rodando nas estradas/ entre esqueletos de animais
.
O modernismo no estilo de Drummond levou-o, com sua linguagem em diferentes ritmos, à popularização em um país onde se lê pouco.
No meio do caminho tinha uma pedra/ tinha uma pedra no meio do
caminho
São versos que entraram para a História como ditos populares.
Em 1982 completa 80 anos. São realizadas exposições comemorativas na Biblioteca Nacional e na Casa de Rui Barbosa. Recebe o título de doutor honoris causa pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. No ano seguinte declinaria do troféu Juca Pato. Em 1984 assina contrato com a Editora Record, após 41 anos na José Olympio.
A escola de samba Estação Primeira de Mangueira o homenageia em 1987 com o samba-enredo O reino das palavras e é campeã do carnaval carioca naquele ano. No dia 5 de agosto morre a mulher que mais amou, sua amiga, confidente e filha Maria Julieta. Desolado, Drummond pede a sua cardiologista que lhe receite um “infarto fulminante”. Apenas doze dias depois, em 17 de agosto de 1987, Drummond morre numa clínica em Botafogo, no Rio de Janeiro.



Memória
Amar o perdido deixa confundido este coração.
Nada pode o olvido contra o sem sentido apelo do Não.
As coisas tangíveis tornam-se
insensíveis à palma da mão
Mas as coisas findas muito mais que lindas, essas
ficarão.